Tertuliano escreve como um advogado que cansou das desculpas. Nascido em Cartago, na África romana, ele conhecia bem os tribunais. Quando se converteu e começou a escrever para os cristãos, trouxe toda a sua formação jurídica para dentro da teologia. Em Sobre a Penitência, escrito por volta do ano 200, ele não está interessado em acalmar a consciência de ninguém. O tratado é curto, direto e, em alguns momentos, deliberadamente desconfortável. Não há espaço para meias palavras.
O que impressiona aqui é que Tertuliano não está falando de arrependimento como um simples aperto no peito. Ele fala de exomologese: o ato público, concreto, de jogar a culpa para fora, rasgar a roupa se for preciso, jejuar, chorar, se prostrar aos pés dos presbíteros. Para ele, a penitência não é só para Deus ouvir; é para a comunidade ver. Isso muda completamente a forma como entendemos a conversão. A vergonha não é um obstáculo a ser evitado; muitas vezes, é o caminho da cura.
Mas o livro não é apenas um manual de disciplina severa. Tertuliano, ainda antes de se tornar o rigorista extremo que viria depois, deixa uma fresta aberta. A famosa "segunda penitência" está ali — uma chance de recomeçar, mesmo depois de uma queda grave. Ele equilibra dois perigos: de um lado, a presunção de quem acha que o perdão é barato e que pode usar o período antes do batismo como licença para pecar; de outro, o desespero de quem acredita que não há mais volta. "Ofendeste, mas ainda podes reconciliar-te", escreve. É uma frase dura, mas carregada de uma esperança que precisa ser conquistada com suor.
Esta tradução direta do latim, feita por Emerson Dias, não tenta polir a aspereza do autor para torná-lo mais palatável. A prosa de Tertuliano é jurídica, cortante, cheia de contrastes e ironias. O leitor vai sentir o peso das perguntas que ele faz: Você quer mesmo o perdão, ou só quer sossegar a consciência? Se você sabe o que é certo, por que insiste em fazer o que é errado? Ele não permite que a culpa seja banalizada, mas também não permite que ela tenha a última palavra.
Mais de dezoito séculos depois, essas perguntas continuam doendo. Tertuliano não escreve para agradar; escreve para provocar uma mudança de atitude. Pegue este livro se você estiver disposto a ouvir uma voz da Igreja antiga que não tem medo de ser áspera, mas que também não deixa ninguém se perder no desespero. É um soco no estômago, mas o remédio vem junto.
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Taschenbuch. Zustand: Neu. Neuware - Tertuliano escreve como um advogado que cansou das desculpas. Nascido em Cartago, na África romana, ele conhecia bem os tribunais. Quando se converteu e começou a escrever para os cristãos, trouxe toda a sua formação jurídica para dentro da teologia. Em Sobre a Penitência, escrito por volta do ano 200, ele não está interessado em acalmar a consciência de ninguém. O tratado é curto, direto e, em alguns momentos, deliberadamente desconfortável. Não há espaço para meias palavras.O que impressiona aqui é que Tertuliano não está falando de arrependimento como um simples aperto no peito. Ele fala de exomologese: o ato público, concreto, de jogar a culpa para fora, rasgar a roupa se for preciso, jejuar, chorar, se prostrar aos pés dos presbíteros. Para ele, a penitência não é só para Deus ouvir; é para a comunidade ver. Isso muda completamente a forma como entendemos a conversão. A vergonha não é um obstáculo a ser evitado; muitas vezes, é o caminho da cura.Mas o livro não é apenas um manual de disciplina severa. Tertuliano, ainda antes de se tornar o rigorista extremo que viria depois, deixa uma fresta aberta. A famosa 'segunda penitência' está ali - uma chance de recomeçar, mesmo depois de uma queda grave. Ele equilibra dois perigos: de um lado, a presunção de quem acha que o perdão é barato e que pode usar o período antes do batismo como licença para pecar; de outro, o desespero de quem acredita que não há mais volta. 'Ofendeste, mas ainda podes reconciliar-te', escreve. É uma frase dura, mas carregada de uma esperança que precisa ser conquistada com suor.Esta tradução direta do latim, feita por Emerson Dias, não tenta polir a aspereza do autor para torná-lo mais palatável. A prosa de Tertuliano é jurídica, cortante, cheia de contrastes e ironias. O leitor vai sentir o peso das perguntas que ele faz: Você quer mesmo o perdão, ou só quer sossegar a consciência Se você sabe o que é certo, por que insiste em fazer o que é errado Ele não permite que a culpa seja banalizada, mas também não permite que ela tenha a última palavra.Mais de dezoito séculos depois, essas perguntas continuam doendo. Tertuliano não escreve para agradar; escreve para provocar uma mudança de atitude. Pegue este livro se você estiver disposto a ouvir uma voz da Igreja antiga que não tem medo de ser áspera, mas que também não deixa ninguém se perder no desespero. É um soco no estômago, mas o remédio vem junto. Artikel-Nr. 9798193515050
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