E se a desolação não fosse o fim do sentido, mas a sua única condição possível?
Há uma palavra que atravessa toda a filosofia de Sartre sem nunca receber o nome que merece: a desolação. Não o desespero passageiro, não a tristeza, não o niilismo — mas a estrutura mesma de um ser que existe sem fundamento, sem natureza e sem lugar onde finalmente repousar em si. Neste estudo rigoroso e original, Noah Blake propõe uma tese ousada: o homem é um animal desolatus. A desolação não é um afeto a ser curado, mas o horizonte estrutural da existência humana — feita de falta ontológica, de alienação diante do olhar do Outro e do peso inerte da história sedimentada. Distinguindo com precisão a desolação do niilismo e do pessimismo, o livro mostra que é justamente a ausência de garantias que confere peso à liberdade e seriedade à responsabilidade.
No centro da obra, uma intervenção decisiva no debate sartreano: as duas grandes leituras da desolação — a ontológica, que a descreve como estrutura, e a ética, que Francis Jeanson lê como chamado — não são alternativas rivais, mas ordens sequencialmente dependentes.
Primeiro a estrutura; depois, e só depois, o apelo. Uma funda a outra sem deduzi-la; uma resgata a outra do quietismo. É no limiar em que o ser se rende ao dever, sem deixar de ser ser, que se decide a forma mais alta da existência lúcida. Dialogando com a melhor literatura crítica internacional — de Hazel Barnes a Joseph Catalano, de Christina Howells a Thomas Flynn, de David Detmer a Jonathan Webber —, e atravessando O Ser e o Nada, a Crítica da Razão Dialética e os Cadernos para uma Moral, este volume conduz o leitor da descrição da paisagem do vazio até a dissecação anatômica de suas forças, culminando numa proposta sobre como articular lucidez e ação numa época que parece tê-las divorciado.
Uma obra para quem recusa tanto o conforto das narrativas consoladoras quanto a paralisia do diagnóstico — e busca, na desolação, não uma desculpa para o recuo, mas a própria razão pela qual o avanço importa.
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Taschenbuch. Zustand: Neu. Neuware - E se a desolação não fosse o fim do sentido, mas a sua única condição possível Há uma palavra que atravessa toda a filosofia de Sartre sem nunca receber o nome que merece: a desolação. Não o desespero passageiro, não a tristeza, não o niilismo - mas a estrutura mesma de um ser que existe sem fundamento, sem natureza e sem lugar onde finalmente repousar em si. Neste estudo rigoroso e original, Noah Blake propõe uma tese ousada: o homem é um animal desolatus. A desolação não é um afeto a ser curado, mas o horizonte estrutural da existência humana - feita de falta ontológica, de alienação diante do olhar do Outro e do peso inerte da história sedimentada. Distinguindo com precisão a desolação do niilismo e do pessimismo, o livro mostra que é justamente a ausência de garantias que confere peso à liberdade e seriedade à responsabilidade. No centro da obra, uma intervenção decisiva no debate sartreano: as duas grandes leituras da desolação - a ontológica, que a descreve como estrutura, e a ética, que Francis Jeanson lê como chamado - não são alternativas rivais, mas ordens sequencialmente dependentes. Primeiro a estrutura; depois, e só depois, o apelo. Uma funda a outra sem deduzi-la; uma resgata a outra do quietismo. É no limiar em que o ser se rende ao dever, sem deixar de ser ser, que se decide a forma mais alta da existência lúcida. Dialogando com a melhor literatura crítica internacional - de Hazel Barnes a Joseph Catalano, de Christina Howells a Thomas Flynn, de David Detmer a Jonathan Webber -, e atravessando O Ser e o Nada, a Crítica da Razão Dialética e os Cadernos para uma Moral, este volume conduz o leitor da descrição da paisagem do vazio até a dissecação anatômica de suas forças, culminando numa proposta sobre como articular lucidez e ação numa época que parece tê-las divorciado. Uma obra para quem recusa tanto o conforto das narrativas consoladoras quanto a paralisia do diagnóstico - e busca, na desolação, não uma desculpa para o recuo, mas a própria razão pela qual o avanço importa. Artikel-Nr. 9798183594010
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